Por Paula Goulart
O tempo, para quem está em luto, não segue o mesmo ritmo do relógio. Enquanto a vida social insiste em avançar, cobrando retomadas rápidas, quem sofre a perda sente que os dias se arrastam, repetitivos, longos demais. É como se existissem dois mundos: o de fora, que pede movimento, e o de dentro, que pede pausa.
Lembro do aniversário de uma mãe que havia perdido o filho. A dor ainda era tão presente quanto no primeiro dia, mas muitos ao redor pareciam acreditar que já estava na hora de seguir em frente. Naquela data, ninguém se lembrou dela. Nenhuma mensagem, nenhum abraço. Apenas o silêncio. Ela me disse que se sentiu invisível como se a dor tivesse prazo de validade, como se a saudade precisasse caber no calendário dos outros.
Essa cena me marcou porque mostra a pressão social que o luto impõe: a ideia de que existe um tempo “certo” para sofrer e outro para “superar”. Mas o luto não funciona assim. Cada pessoa tem seu tempo, sua forma de elaborar a ausência, seu jeito de transformar a dor em memória.É por isso que, no Grupo de Acolhimento Luto pela Vida, do Complexo Salvatore, valorizamos o tempo de cada um. Ali, não há cobrança por “estar melhor” nem expectativa de que alguém já tenha “virado a página”. Há espaço para simplesmente ser, sentir e compartilhar. Caso você sinta necessidade de conversar, sendo cliente ou não do Complexo Salvatore, de forma totalmente gratuita, pode ficar à vontade para participar conosco. Basta enviar uma mensagem para o WhatsApp (98) 2109 3999.
O luto não tem cronômetro. Não existe um prazo para a saudade perder força. O que existe é o respeito ao tempo de cada coração. E, nesse processo, a maior gentileza que podemos oferecer a quem sofre é justamente essa: não apressar a dor, mas acompanhar o ritmo de quem a vive.
Paula Goulart
Especialista em Luto, CEO do Complexo Salvatore, mãe e empresária, dedica sua trajetória a transformar a forma como acolhemos e vivemos o luto e ressignificamos a dor.


